O PASSO DE JAMA


O PASSO DE JAMA

INTEGRANTES DA VIAGEM EM FOTO NO SALAR DE ATACAMA

A Argentina tem ao todo 116 “passos de fronteira” em torno do seu pais, desde a Terra do Fogo até o norte do pais, é onde se fazem os tramites de entrada e saída.
Dentro todos estes passos, alguns são burocráticos e sem atrativo nenhum porém, alguns deles são como um trunfo para viajantes de moto.
Dentre os mais famosos e belos, podemos citar certamente aqueles que se situam em áreas remotas, e boa parte destes encontram-se na divisa entre Argentina e Chile, principalmente nos Andes, onde o ambiente inóspito os transforma em verdadeiras fortalezas para que se possa enfrentar o inverno rigoroso que ocorre nestas regiões. Muitos deles não abrem no inverno, passando a operar apenas parte do ano.
O Passo de Jama faz a fronteira da Argentina com o Chile no Noroeste, e está situado na província de Jujuy, com acesso pela RN 52.
O Passo Jama está entre os mais belos passos fronteiriços argentinos, pela altitude que se situa, acima dos 4.200 metros, mas principalmente por ser a porta de entrada para o deserto do Atacama, considerado uma das paisagens mais belas do mundo e também o deserto mais seco de todo planeta.
E foi pelo Passo de Jama que entramos no Chile neste nosso giro por estes dois países.
O ponto de partida foi a bela cidade de Salta, onde estivemos por 3 dias aproveitando toda beleza da cidade e da região.

De Salta a San Pedro do Atacama são 598 km inicialmente pela Ruta 9, e depois pela Ruta 52. Saímos cedo do hotel a fim de poder curtir este trecho belíssimo que tivemos pela frente.
SAINDO CEDO DE SALTA PARA CURTIR A TRAVESSIA COM CALMA
Até São Salvador de Jujuy não tem muitos atrativos, e deve-se obrigatoriamente fazer o abastecimento das motos nesta cidade, pois os postos de gasolina em todo o trecho são apenas 2, e muitas vezes ficam sem a nafta o que inviabiliza a travessia.
CHEGANDO EM JUJUY, A ESQUERDA RUMO AO PASO JAMA

Outra recomendação para quem não está acostumado a viajar nas alturas, é o mal estar que poderá causar na travessia, já que boa parte do trajeto é feito com altitudes acima dos 4.300 metros, chegando ao ponto máximo de 5.080 metros de altitude. Então, mascar as folhas de coca ajuda, senão fisicamente, mas psicologicamente a vencer o trajeto.
Folhas de coca são facilmente encontradas para venda em pequenas tendas ao longo da rodovia. No nosso caso, todo mundo acabou aceitando a oferta de ir mascando as folhas no caminho. Mal não fez e ninguem sentiu os efeitos da altitude.
INICIO DA SUBIDA DOS ANDES LOGO APOS JUJUY
A subida começa suave a partir de Jujuy e a paisagem vai mudando completamente a partir dali. Já não se vê nenhum verde a partir de Purmamarca, com seu famoso Cerro de Sete Colores, marcando a entrada no deserto e início da subida ao altiplano andino.
PURMAMARCA E SEU FAMOSO CERRO DE SIETE COLORES A FRENTE


A partir deste ponto, somente cactos espalhados pelas encostas, nenhum ser vivo se enxerga, céu completamente azul e paisagens de tirar o folego a cada curva, a cada subida.
A PARTIR DE PURMAMARCA, VEGETAÇÃO DESAPAREDCE DANDO LUGAR A BELISSIMAS PAISAGENS

O ponto alto desta primeira subida, é o marco a 4.170 metros snm , onde existe um ponto de parada feita rapidamente para fotos e tudo com muito cuidado pois os movimentos de fato, ficam lentos e você se sente fraco. De moto, muito cuidado para não deixar cair a moto.
MARCO ENTRE JUJUY E SUSQUES - PONTO DE PARADA PARA FOTOS
E ONDE SE INICIA O ALTIPLANO ANDINO
Mais um pouco, se alcança a cidade de Susques, com seus poucos habitantes e remotamente localizada, porém, é um ponto fundamental para viajeiros de moto, já que ali tem o único posto de gasolina de todo o trajeto, com apenas 1 bomba de nafta. Este posto fica a 3 km após a entrada de Susques, a beira da Ruta 52.
UNICA BOMBA DE GASOLINA NO TRECHO - EM SUSQUES

Motos abastecidas, um café quente com empanadas, e pudemos seguir em frente para um pouco mais a frente, se deparar com o Salar de Atacama. Um espetáculo de paisagem branca, que se mistura com o azul do céu e o cinza das montanhas, e ao fundo, picos com neve eterna. Impossível descrever a beleza de tudo isso junto.

CHEGANDO AO SALAR DE ATACAMA

SALAR DE ATACAMA - A IMENSIDAO ASSUSTA


Uma parada no Salar de Atacama para fotos é quase obrigatório a todos os viajantes.

SALAR DE ATACAMA - PARADA PARA BANHOS E FOTOS

O SOL ENGANA - INICIO DE MAIO TEMPERATURA 6 GRAUS

A partir dali, uma planície se descortina a frente com paisagens de tirar o folego, inesquecíveis a todos que por ali já passaram.
LONGAS RETAS SEM FIM

Vencido o trecho argentino, chega-se efetivamente a Aduana. Agora juntas, os tramites são rápidos, embora muitos papeis e carimbos ainda necessários, mas de uma forma geral, são eficientes. Antes se fazia a saída da Argentina neste ponto e a entrada do Chile somente em San Pedro Atacama, mas agora, é tudo no mesmo prédio. Ficou muito mais fácil.
ADUANAS ARGENTINAS E CHILENAS OPERANDO JUNTAS NO MESMO PREDIO

Entrando no chile, por um longo trecho, as planícies permanecem as mesmas, mais alguns salares são cortados pela rodovia, ao fundo vulcões extintos com seus cumes cobertos com neve eterna.
ENTRANDO NO CHILE


De vida selvagem, o que se vê são apenas bandos de guanácos e llamas na beira do asfalto, o que de fato oferece grande perigo e vários acidentes relatados por colisões de moto ou carros nestes animais que atravessam a pista a todo tempo.

BANDO DE GUANACOS E LLAMAS VIVEM SOLTOS NA BEIRA DA ESTRADA OFERECENDO GRANDE RISCO A QUEM PASSA DE MOTO OU CARRO

LAGUNAS E ALGUMA VEGETACAO RASTEIRA

MUITO SECO - HUMIDADE DO AR NAO PASSA DOS 25%

Após este lindo trecho, uma descida de 30 quilômetros em linha reta, onde se desce de 4.200 metros para 2.200 metros, ao final da reta,  chegada na estranha cidade de San Pedro do Atacama, um oásis no deserto que vale a pena ser visitada. Uma cidade diferente de tudo o que conhece.
INICIO DA DESCIDA ATE SAN PEDRO ATACAMA - TEMPERATURA 5 GRAUS


CHEGADA EM SAN PEDRO - CIDADE ESQUISITA

No dia da travessia, fazia muito frio, cerca de 7 graus, o que somado ao vento, agravou muito mais a situação, e de fato não foi uma travessia confortável, embora todos estivessem com roupas adequadas a frio intenso. Isto acabou causando complicações respiratórias em alguns do grupo, necessitando inclusive de cuidados médicos a noite, já em San Pedro do Atacama, com efeitos que ainda duraram alguns dias.

SAN PEDRO DE ATACAMA - UM VILAREJO COM RUAS DE TERRA, CASAS DE BARRO E GENTE EXÓTICA 
Portanto, se pretende atravessar este passo a partir de Maio ou no inverno, deverá estar bem preparado com roupas quentes, o que mesmo assim, não evitará um certo desconforto. Outro ponto importante, é se informar antes de sair de Jujuy se o Passo está aberto ou fechado, isto mais importante no inverno que pelo acumulo de gelo na pista, o passo é constantemente fechado. Existe um aplicativo chamado “Fronteras”, que pode ser baixado no celular com informações atualizadas de todos os passos argentinos, incluindo o Jama. Então, checar as condições do passo antes de sair de Jujuy é uma dica, e abastecer nos postos já citados, pois embora na fronteira exista um posto, mas nem sempre tem combustível e não dá para chegar a San Pedro somente abastecendo em Jujuy.
Do mais, o passo é fantástico, uma das mais lindas estradas do mundo, paisagens espetaculares e pilotar por mais de 400 km a 4.500 metros de altitude lhe dá um prazer enorme.

APROVEITANDO O BELISSIMO HOTEL CUMBRES DE ATACAMA


NO SPA, OXIGENIO PARA REPOR AS ENERGIAS

Aproveitamos os 3 dias seguintes no belíssimo hotel Cumbres do Atacama para recuperar a saúde e realizar alguns passeios na cidade.

San Pedro de Atacama, Chile
Maio de 2019
S.Pires

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