USHUAIA - Duas Rodas e Um Sonho - Dia 4

Ushuaia – Duas Rodas e um Sonho
Dia 4- Os Ventos da Patagônia
 
De: Bahia Blanca – AR
Para: Puerto Madryn - AR
Km do Trecho: 712
Km Acumulado: 3.178

Ruta 3 Rumo SUL
 Motos prontas e partimos ao nascer do sol rumo a Puerto Madryn, onde temos programado um dia de descanso e vamos conhecer Paninsula Valdez.
Seriam pouco mais de 700 km a serem percorridos neste dia.
No trajeto  estavam previstos 3 abastecimentos, gravados na rota do GPS.
O primeiro abastecimento fizemos em Rio Colorado, logo após passarmos pelo majestoso rio, que literalmente separa a Argentina em duas partes, a produtiva e a Patagonia, onde nada se cultiva.
Até ali, havíamos verificado, vegetação intensa, grandes áreas produtivas, criações de gado e muita riqueza, o que confere com a força da Argentina na área da Pecuária e Agricultura.
Após o Rio Colorado, inicia-se o território da Patagônia, que aos poucos vai se transformando em uma imensidão de terras vazias, uma vegetação cada vez mais pobre e regiões sem vida, e esta característica de vegetação e deserto, aumenta gradativamente, quanto mais para o sul se avança.
O segundo abastecimento, estava previsto para o posto YPF em San Antonio do Oeste, numa perna de 232 km depois de Rio Colorado.
Havíamos lido relatos de viajantes acerca do vento que sopra sem parar nas planícies nuas da patagônia, mas até agora, ainda não tínhamos sido apresentados a ele.
Vieram calmos, como que avisando devagarzinho da sua chegada, mas á medida em que avançávamos em direção Sul, na mesma proporção ele também aumentava sua força.
Aos poucos, as motos foram se inclinando, quase que automaticamente para a direita, na direção contrária a que os ventos sopravam.
E eles sopram forte, fortíssimos.
Rajadas, ou “lufadas” intermitentes  o jogam fora da pista, ou para dentro da pista contrária.
A compensação tem de ser feita ou no contra-esterço com o guidão da moto, ou então na inclinação da moto.
Vento Forte vindo da Direita obriga a pilotar inclinado
A aceleração muda completamente. Marcha para baixo, aumento da aceleração e conseqüentemente da rotação do motor é a dica para não cair, ou não ser levado pelo vento para o acostamento ou para dentro da pista contrária.
Outra dica, era pilotar com o olho no companheiro logo a frente, e ao ver a moto inclinar-se mais fortemente, é só ficar esperando a sua vez, o que na certa virá.
As ultrapassagens pelos pesados caminhões baús, que são muitos naquela região, são um desafio a parte, pois quando iniciada a ultrapassagem, o vento está contra, e você, com a moto inclinada, compensando a sua força.
Assim que se aproxima do caminhão, com o vácuo formado pelo veículo, o vento some, pois o caminhão bloqueia completamente sua passagem e você então, tem de voltar a moto a posição vertical, senão, é puxado para debaixo do veículo.
È como se o caminhão “sugasse” você para debaixo dele.
O problema é logo á frente, quando sai da proteção fornecida pelo veículo e dá de cara novamente com o vento, que agora, além de sua força, ainda tem o deslocamento e turbulência do ar produzido pelo enorme veículo.
Ele te dá uma pancada tão forte que o  capacete parece querer voar da cabeça.
Você tem de sair da proteção do caminhão inclinando ao máximo a moto, para poder compensar a força contrária do vento, que vai te acertar a alguns metros após o veículo.
O vento nos acompanharia dali em diante até o fim do mundo, e nos acompanharia na volta também.
Ruta 3 - Próximo a Puerto Madryn
Chegamos a Puerto Madryn  no final da tarde e paramos logo na entrada em um posto de gasolina YPF para abastecer as motos como de praxe.
É incrível como o povo argentino é amigável com os motociclistas, um contraste com o que muitos pensam e relatam.
Em todas as paradas que fizemos durante a nossa viagem, seja em postos de gasolina, hotéis ou pontos turísticos, em nenhuma delas deixamos de receber  atenção e carinho por parte do povo argentino, e tiramos muitas fotos junto com eles.
Aos viajantes que nos lêem, uma segunda dica: Procurem sempre um bom hotel para dormir, evite se hospedar em espeluncas, pois o nível de stress tende a subir, pois soma-se o cansaço de um dia inteiro em cima da moto, com um péssimo hotel.  É a receita ideal para estragar uma viagem.
E foi assim que neste dia fomos apresentados aos ventos patagônicos e quem afirmar que por lá passou e não ficou com medo, é mentira.!!
São estas coisas que marcam uma viagem, o inesperado, aquilo que não foi programado e saber lidar com estas coisas faz a diferença entre uma viagem e outra.
Muito se aprende com o inesperado.
Vista de Puerto Madryn - mar tranquilo
Amanhã, folga de estrada e vamos conhecer a Península Valdéz, sua fauna famosa e suas paisagens espetaculares.

S.Pires
Puerto Madrin - AR

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