O OLHAR FEMININO DE UMA VIAGEM DE MOTO A PORTO MURTINHO


















Olha só a história que a Chú escreveu depois da viagem a Porto Murtinho.... grande historia que merece ir para este Blog.

¨Iniciamos nossa viajem quarta feira rumo a Porto Murtinho.Não imaginaria o quão divertida e emocionante essa viagem seria.
Marcamos a saída do posto ESSO na rua Marthin Luther, lá estavam nós todos prontos e ansiosos afinal seriam 1.800 km até nosso destino.
Saímos em 7 motos. Eu e meu querido Sergio, Geana e seu querido Alfredo, Marcos, Beber, o Chefe Chico e o amigo Bogo.


Roncaram-se as motos e lá fomos nós todos guarnecidos com nossas roupas próprias para o frio.
Ao longo do caminho uniram-se a nós os PRF, Reickzigel e Deiton.
A tarde prometia. Logo no início percebi que seria uma mudinha, pois meu comunicador tão esperado por meu querido não funcionara, eu só escutava, mas me impediria a comunicação com meus amigos ao longo do caminho, mas não me impediria de ser uma testemunha ocular de uma história encantadora.
Pelos caminhos pude observar o quão interessante é viajar com homens meninos e meninos homens.
Vou explicar. Todos tinham rádio comunicador, parece simples, mas para eles não.O rádio tornou-se um aliado a mais.Com ele romperam-se à distância e o caminho ficou eletrizante, rico de histórias e comédias.
Notei o fascínio que o mesmo exercia sobre os queridos. Os queridos no primeiro momento da viagem ainda estavam tomados pelo stress, pois todos saímos direto do trabalho para a viagem com exceção de alguns.Pois bem essa mistura de stress e ansiedade os acompanhou digamos lá pelos 200 km, sei lá. O importante foi o momento que cada um foi se soltando, parece que se entregando ao ronco de suas motos e assim as piadas foram saindo uma a uma.Os causos e as prosas foram se tornando cada vez mais estapafúrdios, mas singelamente hilariantes.
A paisagem foi ao longo do caminho mudando de cenário como se estivéssemos olhando cenas de um filme. Cada quadro, como se, pintado à mão. O cheiro do mato. O vento batendo em nossos rostos, o frescor da manhã. Que delícia!!!!
Um cenário delicioso, que somente em cima de uma moto se pode sentir.
- Hei!!!! Pessoal!!! Alguém aí, Chinoca, uhuh!!!
- Fala Chinocão
- Cadê você??? Está dormindo???
- Não. Aqui quem vos fala é o locutor da rádio PHD, com o patrocínio “Blusa seu revendedor WOLKSWAGEM para Blumenau e região”.
Ao longo do caminho foram contando a “estória” do nome NIOAQUE. Deus do céu, cada um com sua teoria sobre o porque do nome.E lá vieram mais besteiras.
- Nioaque porque os índios da localidade não conseguiam dizer NEW YORK. Dizia o Joaquim.
- Não! NIOAQUE originou de um nome indígena sei lá – dizia outro
- NIOAQUE porque Nio é de Mio e oaque é de conhaque.
E a definião do nome de Aquidauana!!!
Gente, o Joaquim disse que o nome Aquidauna surgiu porque lá viviam muitos gaúchos, que gostavam de dar o ..... bem, vcs já sabem o que né? E aí ficou Aquidaoanus, Dá pra acreditar?
E assim a viagem seguia. Não pensem que não falavam nada sério até falavam tipo
Olha o buraco
- Cachorro!!! Cachorro!!!
- O peru é meu e ninguém tem nada com o meu peru – Alfredo
- Não fique bravo estamos somente explicando que peru em espanhol tem outro significado divergente do Brasil -.Retrucava Chico
- Então... Finalizou Beber é isso mesmo que eu queria dizer o peru cada um que cuide do seu peru ahahah..... E a risada rolou solta.
Assim seguimos nosso caminho entre os deliciosos comes e bebes de todos os amigos que nos recepcionavam com muito carinho.
Entramos no Estado de Mato Grosso e nosso comboio aumentou consideravelmente, de lá de trás via o sol acompanhando nosso caminho sendo capricho em seus raios, de modo que o calor aumentava na medida que reduzíamos a velocidade das motos.
Caprichosamente um casal de araras azuis cortou a comitiva, como que nos cumprimentando pela chegada ao Estado do MS.
O entardecer no pantanal é supremo o sol caprichosamente foi delineando seus raios por entre as árvores e nos presenteando com imagens magníficas.
Já anoitecia quando chegamos a Porto Murtinho. Não acreditei no que estava vendo.
- Chú! O que é isso?? uma bandinha??? Para nós??
- Não acredito!!!!!
Eu não acreditava nem tampouco os demais que comigo estavam.Adolescentes se desdobrando para nos mostrar o seu melhor.
Fiquei deslumbrada. Havia brilho nos olhos das crianças, que entusiasticamente observavam os maiores como que os idolatrando.
Havia uma representante feminina no grupo de meninos guarda mirim.Não me agüentei e fui ter com ela.
- Há quanto tempo está nesse grupo?? Perguntei
- Há 4 anos respondeu ela, com o peito inflamado e em postura de sentinela, sei lá como se diz.
Tudo o mais que vi e senti a partir daí mudou de alguma forma algo dentro de mim e com certeza dos demais.
Um povo pobre, no fim do mundo, mas que ama sua terra e o lugar onde vivem.
Querem um exemplo o rapaz que apresentou o Touro bandido (turma verde) ele não só declamava, mas falava com o coração e ao fim de sua participação ele beija o chão.
Outro talvez na Chalana quando queria aprender a dança típica, minha mestra era uma enfermeira que foi estudar em São Paulo e retornou a sua terra natal.
- Motivo??? – perguntei
- Eu amo essa terra disse ela dançando graciosamente.
Pois bem gente.Vi muito e aprendi muito mais ainda.
Se pensam que acabei.Pasmem! Quando do nosso retorno, que delícia ouvir ao longo da estrada a frase.
- Deixem o Mário passar com a moto “Golden” do Lelê. Vamos cuidar desse garoto para que retorne bem- exclamou o Chico.
Dizem que para cada ação tem-se uma reação na mesma proporção. Essa frase eu pude comprovar nitidamente, na parada em um posto qualquer para abastecimento.
Carinho e dedicação concedido, retribuição espontânea e de coração. O César carinhosamente pegou um paninho e começou a passar cuidadosamente nas bolhas das motos, dizendo.
- A noite está chegando.Precisamos estar com as bolhas das motos limpas, pois todo o cuidado é pouco.
Gente!!! Quando e onde se vê atos assim. Pouquíssimos podem ter certeza.
Entendi então o significado de viajar de moto.Aumenta-se o circulo de amigos, quebram-se as barreiras das classes e os homens tornam-se tão somente homens desprovidos de cargos, status. Forma-se então uma grande confraria.
Eu, continuava mudinha e o Sergio, quando falava, gerava uma interferência geral em todas as outras motos. Solução: inventaram um TRADUTOR.
Isso mesmo, o pessoal fazia perguntas ao Sergio, que respondia por gestos de mão, que eram traduzidas pelo Bogo, que vinha atrás da nossa moto.
Ei pessoal, lá vem a maquina de costura, afinal esta moto do Sergio parece uma maquina de costura. E ai Sergio, tem cerveja neste teu freezer.
- Ele fez um “zerinho” com os dedos, traduzia o Bogo.
- Ah, isso quer dizer OK, ele concorda, dizia outro.
- Não sei não Bogo dizia, eu acho que este zero quer dizer outra coisa.....
- Ei, agora ele fez um gesto com o dedo apontado para cima, mas só um dedo o resto da mão está fechada !!!
- Ele está apontando para o céu azul.
- Não é não, Bogo dizia, eu conheço este sinal.....ele está mandando a gente pra aquele lugar.
Beber, que tal tomarmos este vinho que vc comprou hoje á noite? Eu até comprei lingüiça para acompanhar?
- Bem, veja, se for do interesse de todos, é claro que eu concordaria em tomarmos este maravilhoso vinho, afinal, somos todos amigos, Beber dizia.
- Este vinho vai azedar tomando todo este sol Beber, vamos tomar ele logo antes que estrague!!
Pois bem pessoal, fui uma testemunha ocular, tão somente, de uma viajem fascinante onde em minha bagagem fiz questão de rechear com momentos que ficarão guardados em minha mente e em meu coração.
- A propósito......
- Alguém cuide do buraco atrás do Beber, vai entrar um caminhão......
- Ih, entrou um caminhão atrás do Beber.
- Quem deixou entrar um caminhão atrás do Beber?
- Risos......................................

Beijos e obrigada
A mudinha, que não é mudinha.
Chu 12/06/2008¨


É ou não é um relato daqueles !!!!

Comentários