A HISTORIA DA COMPRA E RESTAURAÇÃO DO JEEP DO ARTHUR

 

Jeep 1972 antes da restauração
 Sempre quis reintroduzir o Jeep na nossa família, e as razões podem ser conferidas lendo a “História do Jeep na Família Pires”, que encartamos neste blog.

Os anos foram se passando e pouco a pouco íamos construindo as bases para a nossa família, sempre com muita luta, tanto minha como da mamãe.
Chegou o tempo da faculdade, depois vieram o Arthur e a Laís, mas a idéia nunca foi abandonada, ela só era postergada para o momento certo.

Quando chegamos em Blumenau em Fevereiro de 1995, pudemos conferir que haviam vários Jeep´s rodando pela região, com vários Jeep´s Clubes, mas ainda não era a hora certa, por motivos óbvios ($$$).
Em 2003, o Arthur completaria 15 anos e seria uma data que poderia ser o marco para que o sonho se realizasse.
Convencer a mamãe eu diria que não foi difícil, embora tivemos que, digamos, dizer a ela que seria um presente especial para o Arthur e ela concordou meio desconfiada (mas não contamos a ela naquele momento ainda, que haveria uma restauração $$$$).
Muito bem, passamos então para a fase de procura do Jeep.
Teria de ser um Jeep que não tivesse sido detonado em trilhas, e sabíamos que não seria tarefa fácil achá-lo, pois a maioria dos Jeep´s no Brasil são, infelizmente, judiados e usados á exaustão para brincadeiras em trilhas que detonam o veículo e outros, que são completamente desfigurados de sua forma original.
Fizemos alguns contatos que ficaram de nos avisar quando aparecesse um Jeep dentro das condições que havíamos solicitado.
Um dia, um telefonema nos dizia que haviam achado um Jeep, que estava parado há pelo menos 5 anos em uma garagem e que o dono havia resolvido vendê-lo, pois iria precisar do galpão para expandir sua gráfica.
Peguei o Arthur e fomos lá ver o bichinho. Estava coberto com uma lona tipo encerado, pneus murchos, totalmente empoeirado.
Olhamos e vimos que era um Jeep original, não tinha sido modificado e nem tinha sinais de trilha.
Era usado, muito usado, mas não em trilhas e sim em viagens pelo interior do estado e no interior do sítio que o dono da gráfica tinha, mas que, por longos 5 anos, permanecia parado, sem uso.
O valor que ele pedia era R$ 10.000,00, equivalente a U$ 5.000 na época. Fechamos o negócio na hora, até porque, sentimos que havia uma certa dúvida em vendê-lo ou não, já que o Jeep fazia parte da família dele por mais de 20 anos.
Então, após 40 anos, tínhamos novamente um Jeep na família Pires.
Voltamos e fizemos o cheque que foi entregue ao intermediário que fez o negócio, que ficou encarregado de pagar ao dono do Jeep e também de rebocá-lo até a sua revenda de carros e dar pelo menos uma lavada no bicho e onde ficamos de ir buscá-lo no dia seguinte á tarde.
Liguei então para o dono da garagem para saber se o Jeep estava pronto e se tinha dado tudo certo e, surpresa, ele disse que o homem queria desfazer o negócio, pois tinha se arrependido da venda, mas que ele mesmo o contestou, visto que havíamos fechado o negócio e eu inclusive já havia pago.
Me ligou depois de umas 4 horas, dizendo que o Jeep já se encontrava em sua garagem e que tudo havia dado certo, o Jeep era definitivamente nosso.
Fomos eu e o Arthur buscá-lo e enquanto isso, já havíamos combinado de levar o Jeep diretamente para uma oficina de restauração, para que pudéssemos ter o Jeep em condições de rodar e para que pudessem ser reparados os danos causados pelo tempo, que não eram poucos.
E lá fomos nós levar o Jeep até a oficina da Savel Veículos, aqui em Blumenau, onde o Sr Sílvio nos esperava para a avaliação inicial.
Ao ver o Jeep o Silvio se mostrou receoso de fazer o serviço, pois a especialidade deles era reparos de carros novos com pequenas batidas, mas aceitou a tarefa com uma ressalva: que déssemos o tempo suficiente a ele e que não pressionássemos por prazo, visto que faria o serviço nas horas vagas.
O Jeep foi então desmontado totalmente, confesso que deu medo ao ver o estado inicial do bicho.
E assim se passaram longos 8 meses desde que o Jeep deu entrada na oficina da Savel.
Eu e o Arthur fizemos pelo menos umas 30 visitas para ver o andamento e pudemos sentir e ver toda a evolução e envolvimento dos mecânicos na restauração do bicho, passo a passo, sem pressa.
No começo, todos demonstraram até certa má vontade, mas á medida que o serviço ia evoluindo, sentimos que toda a oficina estava querendo ver o resultado final do trabalho.
E assim o Jeep foi desmontado totalmente, lataria foi totalmente restaurada, jateada, repintada em câmera de pintura e tudo. Motor foi retificado, freios, pneus, parte elétrica, bancos foram adquiridos no ferro velho e mandados para serem cobertos, tapete, tanque foi feito pelo amigo Domingos em aço inox, cambio foi revisado, faróis e lanternas novos, enfim, o Jeep ia pouco a pouco sendo recuperado.
Gastamos ao todo R$ 6.000,00 ou U$ 3.000 na oficina da Savel, mais R$ 1.200 ou U$ 600 no motor, mais R$ 2.000 ou U$ 1.000 entre elétrica, bancos, santo Antonio, mais R$ 600 ou U$ 200 na capota e mais R$ 1000 ou U$ 500 com os 5 pneus novos.
Finalmente depois de 1 ano, ficou pronto e fomos buscar o Jeep que foi dado ao Arthur de presente nos seus 15 anos, no ano de 2003.
Foi nele que o Arthur aprendeu a dirigir em incontáveis aulas de volante que fizemos em um circuito especialmente construído no antigo reflorestamento da empresa, onde ele dirigia e eu ficava sentado á sombra, tomando uma cerveja que levávamos em uma caixa pequena de isopor, sempre aos domingos pela manhã.

Nosso Jeep restaurado e pronto para aventuras
E foi assim que adquirimos, recuperamos e trouxemos de volta o Jeep para a nossa família.
A Cê não sabe ainda ao certo o quanto gastei na recuperação do Jeep e certamente vai saber agora, lendo o texto.
Chiiii, vai sobrar prá mim...... um beijo Cê ....

 
S.Pires
Blumenau SC

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